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Trás os Montes

 

 

Trás os Montes

Paraíso de Cultura

Trás-os-Montes e Alto Douro província criada pela divisão administrativa de 1936, compreende sobretudo vastas extensões planálticas elevadas , à volta dos 700-800m, dominadas por algumas serras não muito altas e cortadas por bacias que correspondem a abatimentos tectónicos e por entalhes erosivos.

O clima reflecte a influência da cadeia montanhosa que abriga a região a Oeste e da sua posição já um tanto internada no conjunto da Península Ibérica pois, é no nordeste que fica a área portuguesa mais afastada do oceano, uma distância pouco superior a 200Km. Trata-se de uma região onde as influências atlânticas mal conseguem penetrar. Por outro lado, os contrastes térmicos ao longo do ano acentuam-se do mesmo modo em Trás-os-Montes, o que também é mais nítido nas depressões, onde, apesar de os invernos serem menos frios que nos planaltos, as amplitudes anuais ultrapassam os 20.º.

As características físicas indicadas influenciam claramente as actividades rurais, pouco marcadas pelas técnicas de produção modernas ficou implícita a distinção entre os planaltos mais elevados, com condições de tempo mais rigorosas nos quais durante quatro ou cinco meses as temperaturas descem com frequência a baixo de 0 e o solo fica por largos períodos coberto de neve, e o conjunto de vales e depressões onde faz mais calor e as influências mediterrâneas alastram para Norte é a oposição entre "terra fria" e "terra quente", designações que expressam bem a realidade. De destacar a faixa do alto douro, orientada no sentido Leste-Oeste, cujo clima se caracteriza pela alternância de verões ardentes, em que as temperaturas sobem acima dos 40.º e invernos relativamente moderados, sem os rigores dos planaltos que a enquadram.

No contexto Nacional, Trás-os-Montes ressente-se de ser uma área excêntrica ou periférica, aquela que em termos de acessibilidades relativamente a Lisboa apresenta valores mínimos. Por outro lado a percentagem de população que vive nos centros urbanos é igualmente baixa. Região isolada e com arcaísmos que resistiram mais tenazmente á influência das formas de vida moderna, Trás-os-Montes define bem a sua originalidade no território português.

A região transmontana não é só uma região muito fria no Inverno e muito quente no Verão, embora seja pelo próprio frio que ela é mais conhecida. Esta região hospitaleira tem ainda características muito próprias que os seus habitantes teimam em preservar. Terra marcadamente agrícola não conseguiu ao longo das décadas desenvolver e evitar a " fuga " dos seus naturais para as cidades do litoral, principalmente Lisboa e Porto.

De Trás-os.Montes quase tudo o isolamento levou. Tendo como principais cidades Bragança ,Chaves e Vila Real não conseguiram estas tornar-se em fortes pólos de desenvolvimento, com a criação de postos de trabalho. Tem sido notório o abandono a que os sucessivos governos têm dotado esta parte do país. A falta de infra estruturas desde hospitais bem apetrechados, escolas de ensino superior, vias de comunicação, tudo falta.

Com a chegada do IP4 a Bragança foi quebrada a barreira natural entre a região transmontana e o país mas, fecharam os ramais de caminho de ferro.

Comboio, meio de transporte por excelência que transportou durante décadas os rapazes e raparigas das aldeias transmontanas para as várias escolas de ensino secundário, apenas existentes nas principais cidades; que reunia os habitantes nas varias feiras semanais proporcionando-lhes um convívio sadio que quebrava o isolamento social. Tudo a " civilização " e o governo nacional levou.

O trabalho dos campos enchia esta região de vida desde a cultura da vinha, á plantação da batata, ao cultivo do centeio, trigo e milho até a apanha do feno, tudo isto era cultura transmontana.

Parte da cultura de Trás-os-Montes, fazia-se sem duvida nenhuma a sementeira e tratamento do linho.

Hoje, tecido muito apreciado, o linho era um dos produtos regionais que maiores unidades e mais trabalho dava até poder ser apresentado em bonitas toalhas ou em suaves lençóis de cama, ou ainda em atraentes toalhas de rosto.

O linho era semeado no mês Maio em leiras de regadio.

Mas resiste à mudança a plantação do castanheiro, cujas plantações começam a abundar pelas aldeias do concelho de Bragança e que regulam a vista dos montes da natureza. A produção de azeite, azeite suave, pura delicia da cozinha portuguesa; os campos das amendoeiras únicos no país, após a transformação do Algarve em aldeamentos turísticos. A amendoeira em flor é dos espectáculos mais bonitos a que podemos assistir e que traz à região transmontana milhares de visitantes que enchem as pousadas e hotéis em pleno época Invernal durante o mês de Fevereiro e Março.

A caça e principalmente as montarias ao javali estão a dar grande ânimo á região nos meses de Janeiro e Fevereiro.A grande relíquia de toda a região transmontana são as pequenas aldeias compostas na sua grande maioria por menos de 100 fogos e que contraria todo um país descaracterizado que parece querer tornar-se num mero campo de ferias e os seus habitantes em meros transportadores de bandejas paras estrangeiros servir. As aldeias transmontanas resistem por força da tenacidade dos seus habitantes e depois de uma década de continuo abandono parecem hoje querer ressurgir, aparecendo ténues sinais de esperança.

O Comunitarismo em Trás os Montes

Toda a região transmontana é marcada por ancestrais práticas comunitárias. Este tipo de relacionamento interpessoal é mais do que um ideal de vida ou uma forma de estar em sociedade , deriva acima de tudo da necessidade de entre - ajuda na labuta rural; da necessidade de conjugar esforços para mais facilmente atingir os fins desejados.

Nesta região, desde sempre desprezada pelos sucessivos governos, vivem gentes de fibra, habituadas a ultrapassar os apuros da vida. O povo das aldeias transmontanas desafia a falta de maquinarias agrícolas e mesmo a falta de mão de obra necessária aos duros trabalhos do campo. Fazem-no através da entreajuda, através de um apoio reciproco, com vista a por em prática a máxima segundo a qual "a união faz a força".

As novas técnicas simplificaram a satisfação das necessidades individuais, e por isso diminui a necessidade de apoio reciproco e partilha de recursos, esmorecendo-se o comunitarismo.

A solidariedade atinge o seu expoente máximo neste tipo de comunidades onde se pode falar numa família alargada. No fundo aquilo que melhor define o comunitarismo é o espírito de partilha que reinava e, em muitos casos ainda reina, quer das coisas boas, quer das coisas más...

As práticas comunitárias sempre existiram nos trabalhos agrícolas como por exemplo nos trabalhos ligados à colheita do cereal, trigo e centeio.

Com o amadurecer do cereal é necessário cega-lo, as cegadas faziam-se no regime de torna jeira, ou seja, os habitantes de determinada aldeia combinavam, por iniciativa do proprietário de uma terra de centeio ou trigo, ir cegar essa mesma terra durante um dia. O proprietário do cereal tinha a seu cargo a alimentação e as bebidas para todos. Assim, de forma mais ou menos ordenada se faziam as cegadas de toda a aldeia.

Seguia-se a acarreja, transporte do cereal para as eiras, tarefa em que a entreajuda era ainda mais indispensável.

Por último temos as malhas, o cereal era separado da palha, até há cerca de 50 anos de forma manual com a utilização de malhos; nestas tarefa eram envolvidos homens e mulheres da aldeia.

 

A exploração dos baldios – Os baldios são terrenos comunitários que se destinam na maioria das vezes à actividade de pastorícia. Havendo casos em que, erradamente, a junta de freguesia se assume como proprietária, mas este facto não lhes retira a sua verdadeira característica de terrenos comunitários.

Forno comunitário – Não se justificando nas pequenas aldeias cada habitante ter um forno próprio para cozer o pão, optavam esses mesmos habitantes por construir um forno que pudesse servir toda aldeia.